2 de ago de 2017

com sangue também 
se fala do tempo
e essa mancha 
em minhas mãos


pungente 
se atreve
a conjecturar
dias de fuga
verdades convenientes
ruínas

pensa
em devolver-te
o absurdo da palavra

e assim
só pela surpresa
te concluo
súbito
somando todas as coisas,
é claro

enquanto
outra vez
imaginativamente
me ponho à tua porta:
vim só pra ver
e visitar
o vulnerável 
em ti.

19 de mai de 2016



Não faria uso dos grandes poetas
Para tão simples dizeres
Como as lembranças inenarráveis
Daqueles dias
De riso fácil em um rosto oculto
Reduto de paisagens
Em vermelho vivo
Memórias de um ontem-não
Faria uso de versos óbvios
Pra falar de uma saudade fugaz
Como esse tempo
Que digo

De ilusão.

15 de abr de 2016

TEU NOME MAIS SECRETO.





Tu, que não digo o nome
Que grita
Bicho
Sussurra
Homem.

Quando verbo, altivo
Se inexaurível, substantivo.
Assentado no despudor
Me avassala o corpo
Me desfigura o rosto
Exacerba o gosto
De ser desertor.
  
Me apresenta lugares tais
Um hemisfério,
Estrelas,
Postais
Uma paisagem,
Amor,
Que me alivia os olhos.

7 de jan de 2016




Me disseram do amor, 
essa parcela de pólvora consumida 
célere
na ponta dos teus cigarros. 

Tardes vermelhas

Um fogo
Fátuo
Ruindo
Agora

Enquanto
Lá fora 

Venta
Mas já não

Voo.

6 de nov de 2015

NADIR.


Esse abismo
Onde tudo deita
Sucessão de ecos sujos
Que só o profano enfeita.

Cólquida
Tessália
Quilômetros

Rio
Itália
Aqui
Pompéia

O fim

Nera

A Vênus
Que um dia fui
Hoje ele chama 

Medéia.