22 de set de 2013

"A CARA DO CARA SENTADO NA CALÇADA".

"A vida era cheia de complexidades; a vida era uma coisa que cumpria amar até a última hora".
(Virginia Woolf)


Ilustração: Manoli López


Quão estranha é a falha do plano de uma certa continuidade consumida gradualmente pelo hábito. Acostumados, cada vez menos acompanhados, quiçá plenos, de um sentir, agora, tão menos obsceno e nítido. Dois, envoltos no paralelismo de mundos contrapostos, evidenciados em diálogos duvidosos sobre o que resta. E o que resta, já não salva. Falta espírito, respiração, faltam os olhos e os tempos que não mais coincidem. Sobra falta. O que há é outra coisa, aprisionada e sem nome, capaz apenas de sufocar corações.

Escorrem dias interminavelmente densos quando a  nossa percepção das coisas não mais se esconde. Quando o olhar de fora, translúcido, físico, não mais cego de amor, agora vê, estático e endurecido que o fim, é quando a gente reconhece o quanto de perda pode haver na presença.


*Trecho título de uma das canções de um grande amigo.

2 comentários:

  1. E se o resta já não salva, nem saliva.
    Sobram espaços por entre o verso de cada vão que, não sendo em vão, transpassa esse olhar translúcido tão escurecido na noite, por presenças que não se encontram, que não se transbordam, talvez, nem se conheçam.

    Saudades daqui, menina.
    O meu carinho, sempre.
    Beijo na alma,
    Sam.

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  2. Feliz em saber que continua peculiar em seus textos.
    Adoro abordagens sobre a rotina e o cotidiano repetitivo, existe muito material a se explorar por aí.

    Parabéns!

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À você, um sorriso capaz de derreter o mais frio dos corações.