13 de mai de 2014


Eu, tantas vezes áspera
Tantas vezes nociva
Tantas vezes morta
E fria

Tantas vezes livre
Mas comprimida
Nesse quarto menor a cada dia

Tu, tantas vezes vivo
Derramando mágoa
Sob a minha poesia.

12 comentários:

  1. Haverá poesia sem mágoa?
    Haverá poeta sem versões inóspitas?
    Somos acúmulos de dores e amores mal resolvidos, transformados na alma das (entre)linhas.

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  2. As vezes esse EU produz agudos de violino que incomodam e a melhor maneira de mensurá-lo é pelo atrito e pelo calor que essas coisas instaladas no peito se chocam... "Eu que tenho" é um verso muito forte na literatura, geralmente acompanhando de muita demolição; seja em Neruda "Yo que tengo" para entender o silencio, seja em TS Eliot "I Who Have" em Wasteland, esse cenário vazio de imaginação em que vivemos, seja em Fernando Pessoa com o poema em linha reta e seu amigo Cesário Verde, esse eu precário; em Lorca o Eu que é só dúvida, em Camões um viajar sem fim... em ee cummings esse "eu que tenho" foi na morte e estranhamente voltou

    um abraço


    Pablo Neruda - Silencio [excerto]

    Yo Que Tengo mucho que callar
    y eso se conoce creciendo
    sin otro goce que crecer,
    sin más pasión que la substancia,
    sin más acción que la inocencia,
    y por dentro el tiempo dorado
    hasta que la altura lo llama
    para convertirlo en naranja.


    Frederico Garcia Lorca - Canción de la Duda

    Y yo que sigo solo caminano,
    con la mi vida en desaliño,
    Yo véo dos golondrinas de piedra
    Y una mujer solitária y desnudada,
    Gonondrinitas yo les digo:
    Donde está la vida eterna?

    Fernando Pessoa - Poema em Linha Reta [excerto]

    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, Que Tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

    Luís Vaz de Camões - Julga-me a gente toda por perdido [excerto]

    Mas Eu, Que Tenho o mundo conhecido,
    E quase que sobre ele ando dobrado,
    Tenho por baixo, rústico, enganado
    Quem não é com meu mal engrandecido.

    Cesário Verde - A Débil [excerto]

    A Débil Eu, que sou feio, sólido, leal,
    A ti, que és bela, frágil, assustada,
    Quero estimar-te sempre, recatada
    Numa existência honesta, de cristal.

    e.e. cummings - i who have died [excerpt]

    I Who Have died am alive again today,
    and this is the sun's birthday;this is the birth
    day of life and of love and wings:and of the gay
    great happening illimitably earth


    TS Eliot - Wasteland [excerpt]

    At the violet hour, when the eyes and back
    Turn upward from the desk, when the human engine waits
    Like a taxi throbbing waiting,
    [...]
    I Who Have sat by Thebes below the wall
    And walked among the lowest of the dead.)
    Bestows one final patronizing kiss,
    And gropes his way, finding the stairs unlit…

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  3. Boa tarde Déborah.. tanto queremos nos entender que as vezes nos sentimos realmente mortos, frios, buscando uma liberdade que deve ser nosso direito mas nunca encontramos as chaves das algemas..
    tenha um lindo dia
    lapidandoversos.blogspot.com.br

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  4. É que até na sua rebeldia, a tua poesia é a mais bonita.

    Beijo na alma, Dé.
    Samara Bassi.

    (psiu: achei triste o novo visual. Não parece com você... palpite ;))

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  5. Um poema de quem, de tão grande, não cabe no mundo...

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  6. Esse finalzinho pode ir para a minha lápide!
    Tu é demais.

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  7. E a gente, tantas vezes malditos mesmo quando bem acompanhados.
    Lindíssimo, Dé.

    Beijo.

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  8. Ficou bonito, principalmente no final...
    Boa noite,

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  9. Eu, tantas vezes vazio
    tantas vezes sen[ti]
    tantas vezes não vi
    e caí

    Tu, tantas vezes
    poesia
    tantas vezes inspiração
    me adormeceu no chão.
    __
    Seus versos me inspiraram outros.

    Lindo!!!

    E obrigado pela linda presença no meu blog Deborah. Volte mais vezes. Vou gostar.

    Beijo!

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  10. "Derramando mágoa sob minha poesia". Lindo!

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À você, um sorriso capaz de derreter o mais frio dos corações.