8 de mar de 2015

IDIOSSINCRASIAS DE VÊNUS.

Fotografia: Mikey McMichaels


Sobre mim repousam
Outras
Elas
Silenciadas
Violentadas
Assassinadas
Abortadas

Números
Gêneros
Graus
Oblíquas
Dissimuladas
Encarceradas
Num circo de horrores
Por ser.

Meu útero
Puto
Sangra
Ilegal

Enquanto no jornal
Uma nova inquisição
Transmite minha dor
Na televisão.

Aquelas
Outras
Elas
Com flores nas mãos
Celebram seu próprio enterro

Em nome do 
Pai.

6 comentários:

  1. Que as vozes não sejam caladas, mas se calem quando bem entender.
    Que os putos não sejam rótulos desaforados
    dos que vertem água de cheiro e escorrem pelas pernas
    sua nudez avulsa
    que não haja censura, tampouco obrigação por carregar um corte em punhos de aço e flores

    Não existe santidade, nem profanidade.
    Não tem que ter rótulos por ser mulher
    livre
    por ser, apenas
    a pauta principal
    de um blablablá
    que por olhos alheios
    ao feminino,
    não sabem da missa, um terço.

    Ai, Déborah, você definitivamente, foi porta voz!

    Showww, menina!

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  2. Muito bom, menina. Realmente muito bom.

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  3. Uau... Isso é a força da mulher e sua poesia. Você é poesia.

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  4. Forte presença de Hilst e Adélia em seu poema. <3

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À você, um sorriso capaz de derreter o mais frio dos corações.